Instituto Politécnico de Coimbra apoia implementação de Programa Portugal Mata Viva

31 Outubro 2017 | 13:00h

Instituto Politécnico de Coimbra apoia implementação de Programa Portugal Mata Viva

Não há fogos florestais nas zonas geridas pelo Programa Brasil Mata Viva. Projeto quer implementar o mesmo modelo em Portugal, para contribuir para o fim dos fogos florestais, através da valorização dos produtos florestais e do financiamento dos proprietários dos terrenos, numa lógica de desenvolvimento sustentável do território.

É assinado amanhã, às 11H00, um protocolo entre o Instituto Politécnico de Coimbra (IPC) e o Programa Portugal Mata Viva. O IPC vai dar apoio técnico-científico à implementação do Programa, validando metodologias de certificação de preservação ambiental e dos modelos de negócio a desenvolver.
O programa Portugal Mata Viva pretende financiar projetos de preservação ambiental, através da inscrição dos proprietários, da avaliação do valor ambiental dos terrenos e da floresta nativa existente, e da emissão de ativos gerados mediante esse valor. O processo baseia-se na existência de uma plataforma global onde há o encontro dos diversos parceiros se relacionam nesta plataforma, onde estes ativos da floresta são geridos. No caso do Estado de Goiás, Brasil, chama-se Plataforma Tesouro Verde, é reconhecida e administrada pelo poder público de Goiás e envolve mais de 40 instituições.
Segundo o Presidente do IPC, Jorge Conde, o Projeto "Portugal Mata Viva” é uma fórmula testada já no Brasil e pretende contribuir para minimizar o problema dos incêndios em Portugal. “De facto, pretende fazê-lo de forma indireta, porque o que faz de forma direta é voltar a colocar as pessoas no interior do país e nas ações económicas ligadas à floresta”, explica. O IPC vai envolver-se neste projeto no âmbito de várias vertentes: “Ligadas à floresta nós encontramos atividades, que advêm de vários dos cursos ministrados no Politécnico de Coimbra, bem como muita da investigação que fazemos, nomeadamente na Escola Superior Agrária. Claro que na saúde, na gestão, na comunicação, no turismo ou na engenharia também conseguimos gerar valor e ver atividade económica que está ligada à floresta, explica Jorge Conde, sublinhando que que o Politécnico de Coimbra “não poderia deixar de ser um parceiro deste projeto, tentando contribuir para soluções que ultrapassem aquele que é um dos maiores flagelos do século no território português”.
O Programa Portugal Mata Viva pretende replicar o modelo desenvolvido no Brasil, com o nome Brasil Mata Viva, que nos últimos 10 anos tem contribuído para a valorização ambiental, a redução do êxodo das populações e a diminuição dos fogos florestais, nas áreas onde está implementado.
O programa tem como objetivo criar condições para que as pessoas que vivem próximo da floresta vejam reconhecida a sua atividade económica e de conservação. Segundo José Manuel Almeida, responsável pelo projeto em Portugal, “os acontecimentos recentes dos incêndios florestais em Portugal demonstram a necessidade de um debate sobre esta problemática”. “O ambiente tem um valor em si mesmo. Dando valor à preservação ambiental, fazemos com que as pessoas se fixem no interior e cuidem da sua floresta. Podemos implementar metodologias de preservação ambiental, mantendo as populações nos seus territórios e preservando a cultura local”, afirma o responsável, explicando que este valor para a preservação ambiental é definido através de certificadores ambientais, reconhecidos pela ONU e organizações internacionais.
Este programa pretende envolver todos aqueles que podem ajudar a sustentar o ambiente – pessoas, entidades locais e regionais, parceiros académicos, entre outros. Os parceiros são os patrocinadores deste projeto de preservação ambiental. “Todos ganham – o dono do terreno, a comunidade, a autarquia e o país. Se todos tomarem conta da sua floresta para preservar os seus ativos, a floresta não arde”, entre outros efeitos, garante José Manuel Almeida.
O programa encontra-se na fase final de criação da empresa e já está no terreno a falar com interlocutores e a estabelecer parcerias, através de reuniões com produtores e sensibilização de diversas entidades.