Projeto SOLCAT desenvolve tecnologia sustentável para eliminar antibióticos de águas residuais
O projeto SOLCAT – FotoCATálise SOLar usando fotossensibilizadores magnéticos, desenvolvido por uma equipa da Escola Superior de Tecnologia da Saúde da Universidade Politécnica de Coimbra (ESTeSC), está a desenvolver uma solução inovadora e sustentável para remover antibióticos presentes em águas residuais através da utilização de energia solar e de materiais produzidos a partir de biomassa.
Coordenado pela investigadora Diana Lima, docente da ESTeSC e Diretora do INOPOL Academia de Empreendedorismo, o projeto conta ainda com a participação das docentes Ana Paula Fonseca, Carla Patrícia Silva e Nádia Osório.
Equipa do projeto: Ana Paula Fonseca, Diana Lima, Carla Patrícia Silva e Nádia Osório
A presença de antibióticos nas águas residuais constitui um desafio ambiental e de saúde pública, uma vez que contribui para o desenvolvimento da resistência aos antimicrobianos, considerada pela Organização Mundial da Saúde uma das maiores ameaças à saúde global. Neste contexto, o SOLCAT pretende desenvolver uma tecnologia sustentável para o tratamento de águas, contribuindo simultaneamente para a reutilização segura deste recurso e para a redução da poluição.
Financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), no âmbito do Concurso de Projetos Exploratórios em Todos os Domínios Científicos 2023, com um financiamento de 49.948,18 euros, o projeto teve início em janeiro de 2025. A investigação centra-se no desenvolvimento de fotocatalisadores magnéticos à base de carbono, produzidos a partir de resíduos de café e da indústria cervejeira, capazes de acelerar a degradação de antibióticos recorrendo à radiação solar.
Até ao momento, a equipa desenvolveu e caracterizou diferentes fotocatalisadores, avaliando a sua eficácia na degradação de antibióticos, a atividade antibacteriana dos efluentes tratados e a possibilidade de recuperação e reutilização dos materiais. A fase atualmente em curso consiste na validação da tecnologia num fotoreator semi-piloto, aproximando a investigação da sua futura aplicação em instalações de tratamento de águas residuais.
Os resultados alcançados evidenciam já o impacto científico do projeto. Foram publicados quatro artigos científicos em revistas internacionais com revisão por pares, estando outros dois submetidos para publicação. O SOLCAT deu ainda origem a duas dissertações de mestrado, três projetos de licenciatura – um deles desenvolvido em contexto Erasmus – e 14 comunicações científicas, das quais nove em congressos internacionais.
A qualidade da investigação foi também reconhecida com dois prémios científicos: Carla Patrícia Silva, docente da ESTeSC, recebeu o Prémio de Melhor Comunicação Oral no Congresso da Associação Portuguesa de Licenciados em Farmácia, enquanto a bolseira Beatriz Valadares foi distinguida com o Prémio de Melhor Comunicação em Poster na conferência internacional ICRAPHE 2025.
Equipamento utilizado na investigação