Conhecimentos de Base Recomendados
Não existem conhecimentos de base eliminatórios.
Recomenda-se, contudo, capacidade de leitura de textos técnicos e jurídicos, noções gerais de organização empresarial e competências digitais básicas para utilização de folha de cálculo e consulta de fontes institucionais. A unidade curricular inclui uma revisão inicial dos conceitos contabilísticos essenciais.
Métodos de Ensino
ME1. Exposição interativa dos conceitos fundamentais, articulando teoria, exemplos práticos e leitura dirigida de demonstrações financeiras.
ME2. Resolução orientada de exercícios sobre ciclos contabilísticos, preparação da informação financeira e leitura dos principais mapas financeiros.
ME3. Análise de casos práticos e de documentos de prestação de contas, com foco na interpretação da informação e na identificação de limitações.
ME4. Utilização de folha de cálculo para organização de dados, cálculo de indicadores simples e preparação de quadros de análise.
ME5. Aprendizagem baseada em trabalho aplicado, através da elaboração de um diagnóstico financeiro introdutório.
ME6. Orientação tutorial e feedback formativo ao longo do semestre, incluindo preparação da apresentação/defesa oral.
ME7. Análise orientada de exemplos e documentação relacionados com a contabilidade do processo executivo, incluindo portarias aplicáveis, contabilidade do agente de execução, contas-clientes e caixa de compensações.
Resultados de Aprendizagem
Após a conclusão desta unidade curricular, o estudante será capaz de:
OA1. Compreender a contabilidade como sistema de informação para a gestão, para terceiros e para a decisão profissional em contexto empresarial.
OA2. Identificar o modelo de normalização contabilística aplicável em Portugal, incluindo o Sistema de Normalização Contabilística (SNC) e a articulação geral com as Normas Internacionais de Contabilidade/Normas Internacionais de Relato Financeiro.
OA3. Reconhecer os principais ciclos contabilísticos da atividade empresarial: ciclo operacional, ciclo de investimento não financeiro e ciclo de financiamento.
OA4. Compreender o processo de preparação da informação financeira e a estrutura das demonstrações financeiras.
OA5. Ler e interpretar o balanço, a demonstração dos resultados, a demonstração das alterações no capital próprio, a demonstração dos fluxos de caixa e o anexo.
OA6. Construir e interpretar, em termos introdutórios, a demonstração dos fluxos de caixa, relacionando-a com a liquidez, a tesouraria e a atividade operacional da entidade.
OA7. Aplicar indicadores básicos de análise financeira para interpretar a situação patrimonial, financeira e económica de uma organização.
OA8. Conhecer e interpretar a contabilidade do processo executivo, incluindo a contabilidade do agente de execução, as contas-clientes, a caixa de compensações e as portarias relativas ao cálculo das remunerações e despesas dos agentes de execução.
Competências associadas:
CD1. Literacia contabilística e financeira: capacidade de compreender a linguagem contabilística e os principais mapas financeiros.
CD2. Pensamento crítico: capacidade de interpretar informação financeira, identificar limitações e formular conclusões prudentes.
CD3. Resolução de problemas aplicados: capacidade de aplicar conceitos básicos a situações empresariais concretas.
CD4. Comunicação técnica: capacidade de explicar, oralmente e por escrito, informação contabilística e financeira a públicos não especializados.
CD5. Autonomia e responsabilidade académica: capacidade de utilizar fontes, dados e ferramentas digitais, incluindo IA, de forma transparente, crítica e responsável.
CD6. Capacidade de compreender e aplicar conceitos contabilísticos básicos associados ao processo executivo, em especial no que respeita à contabilidade do agente de execução, contas-clientes, caixa de compensações, remuneração e despesas dos agentes de execução.
Programa
P1. Contabilidade como sistema de informação e modelo de normalização contabilística
1.1. Objetivos da informação contabilística e financeira; utilizadores, relevância e limites da informação.
1.2. Sistema de Normalização Contabilística: enquadramento geral, instrumentos contabilísticos, categorias de entidades e demonstrações financeiras.
1.3. Relação geral entre SNC e Normas Internacionais de Contabilidade/Normas Internacionais de Relato Financeiro.
P2. Ciclos da atividade empresarial e tratamento contabilístico introdutório
2.1. Ciclo operacional: compras, vendas, inventários, clientes, fornecedores, rendimentos e gastos.
2.2. Ciclo de investimento não financeiro: ativos fixos tangíveis, ativos intangíveis, depreciações/amortizações e perdas por imparidade em termos introdutórios.
2.3. Ciclo de financiamento: capital próprio, financiamentos obtidos, encargos financeiros e estrutura financeira.
P3. Preparação da informação financeira e relato financeiro
3.1. Finalidade, estrutura e articulação das demonstrações financeiras.
3.2. Balanço: ativos, passivos, capital próprio e equação fundamental do património.
3.3. Demonstração dos resultados: rendimentos, gastos e formação do resultado.
3.4. Demonstração das alterações no capital próprio e anexo: função, estrutura e utilidade informativa.
P4. Demonstração dos fluxos de caixa
4.1. Objetivo e utilidade da demonstração dos fluxos de caixa.
4.2. Fluxos das atividades operacionais, de investimento e de financiamento.
4.3. Leitura e interpretação da liquidez gerada e consumida pela entidade.
P5. Leitura e interpretação das demonstrações financeiras
5.1. Articulação entre balanço, demonstração dos resultados, fluxos de caixa e anexo.
5.2. Políticas contabilísticas, estimativas, materialidade e limitações da informação financeira.
5.3. Identificação de sinais de alerta, incoerências e questões relevantes para análise.
P6. Introdução à análise financeira
6.1. Análise comparativa e evolução temporal de rubricas.
6.2. Indicadores de liquidez e tesouraria.
6.3. Indicadores de autonomia financeira, endividamento e solvabilidade.
6.4. Indicadores de rendibilidade e eficiência em termos introdutórios.
P7. Aplicação prática: diagnóstico financeiro introdutório
7.1. Recolha e organização de informação financeira de uma entidade.
7.2. Leitura crítica das demonstrações financeiras e cálculo de indicadores básicos.
7.3. Elaboração de síntese técnica com conclusões fundamentadas.
P8. Contabilidade do processo executivo
8.1. Enquadramento da contabilidade do processo executivo.
8.2. Portaria n.º 708/2003, de 4 de agosto, alterada pela Portaria n.º 436-A/2006, de 5 de maio.
8.3. Portaria n.º 282/2013, de 29 de agosto.
8.4. Contabilidade do agente de execução.
8.5. Contas-clientes.
8.6. Caixa de compensações.
Docente(s) responsável(eis)
Cristina Maria Gabriel Gonçalves GóisMétodos de Avaliação
Os estudantes são avaliados através do regime de avaliação periódica/contínua, mantendo-se a ponderação global de 70% para o trabalho aplicado e respetiva apresentação/defesa oral e 30% para o teste/exame escrito individual.
a) Avaliação periódica/contínua
MA1. Trabalho aplicado de leitura e análise de demonstrações financeiras, 50%. O trabalho consiste na análise introdutória da informação financeira de uma entidade, incluindo leitura das demonstrações financeiras, construção/interpretação da demonstração dos fluxos de caixa quando aplicável, cálculo de indicadores básicos e elaboração de conclusões fundamentadas.
MA2. Apresentação e defesa oral individual do trabalho, 20%. A classificação desta componente pode diferir entre estudantes do mesmo grupo em função do domínio individual demonstrado.
MA3. Teste escrito individual, 30%. O teste incide sobre a matéria lecionada no semestre. Nota mínima: 5 valores.
A classificação final resulta da seguinte fórmula: CF = 0,50 x MA1 + 0,20 x MA2 + 0,30 x MA3. Os estudantes obtêm aprovação quando a classificação final seja igual ou superior a 10 valores, desde que cumprida a nota mínima exigida no teste escrito.
b) Época de recurso/especial
Os estudantes que não obtenham aprovação na avaliação periódica/contínua têm acesso à época de recurso/especial, mantendo-se a ponderação de 70% para o trabalho aplicado e respetiva apresentação/defesa oral e 30% para o exame escrito individual. O estudante pode manter a classificação positiva obtida no trabalho realizado no mesmo ano letivo ou, em alternativa, entregar um novo trabalho ou uma reformulação do trabalho anteriormente apresentado, nos termos comunicados pela docente. A apresentação/defesa oral é obrigatória para validação da componente de trabalho.
c) Melhoria de classificação
A melhoria de classificação realiza-se nos termos regulamentares aplicáveis, mantendo-se a estrutura de ponderação da unidade curricular: 70% trabalho/apresentação e 30% teste/exame.
d) Regime de assiduidade e trabalhadores-estudantes
Não existe requisito mínimo de assiduidade para acesso à avaliação periódica/contínua, sem prejuízo da presença obrigatória nos momentos de apresentação/defesa oral e no teste/exame. Os estudantes com estatuto de trabalhador-estudante ou outro estatuto especial legalmente aplicável podem, mediante articulação prévia com a docente, realizar trabalho individual e defesa oral em horário compatível com o respetivo estatuto.
e) Diretrizes de utilização de Inteligência Artificial (IA)
Na elaboração do trabalho, é permitida a utilização de ferramentas de IA como apoio à pesquisa, organização de ideias, revisão linguística, estruturação preliminar de texto e apoio à construção de tabelas ou folhas de cálculo. A utilização de IA deve ser declarada no trabalho, indicando a ferramenta utilizada, a finalidade da utilização e a forma como os resultados foram verificados e integrados criticamente. Não é permitida a utilização de IA no teste/exame escrito, nem durante a apresentação ou defesa oral, salvo ferramentas autorizadas por razões de acessibilidade ou inclusão.
f) Suspeita fundada de fraude
No caso de suspeita fundada de fraude detetada na fase de correção de prova, o estudante será convocado para prestação de prova oral para verificação dos conhecimentos e competências demonstradas. Esta verificação é realizada por um júri constituído pelo docente da UC e por mais dois docentes da mesma área. Caso o estudante não comprove ter os conhecimentos e competências demonstrados na prova escrita, a prova ser-lhe-á anulada.
Estágio(s)
NAO
Bibliografia
Bibliografia principal :
Borges, A., Rodrigues, A., & Rodrigues, R. (2014). Elementos de contabilidade geral (26.ª ed.). Áreas Editora.
Gomes, J., & Pires, J. (2015). Sistema de Normalização Contabilística: Teoria e prática (5.ª ed.). Vida Económica.
Gonçalves, C., Fernandes, S., Santos, D., & Rodrigo, J. (2020). Contabilidade financeira explicada: Manual prático (4.ª ed.). Vida Económica.
Ordem dos Contabilistas Certificados. (2023). Guia de boas práticas profissionais: Volume V, Prestação de contas. Ordem dos Contabilistas Certificados.
Rodrigues, A. M., Carvalho, C., Cravo, D., & Azevedo, G. (2010). SNC, Contabilidade financeira: Sua aplicação. Almedina.
Bibliografia complementar:
Elliott, B., & Elliott, J. (2022). Financial accounting and reporting (20th ed.). Pearson.
Kieso, D. E., Weygandt, J. J., & Warfield, T. D. (2024). Intermediate accounting: IFRS (5th ed.). Wiley.
Lopes, C. R., Malaquias, R., Oliveira, D., Pires, J. R., & Claro, B. (2019). Manual de contabilidade e finanças para não financeiros. Escolar Editora.
Legislação, normativos e referências institucionais:
Aviso n.º 8256/2015, de 29 de julho. Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro do Sistema de Normalização Contabilística. Diário da República.
Comissão de Normalização Contabilística. (s.d.). Instrumentos contabilísticos do Sistema de Normalização Contabilística. https://www.cnc.min-financas.pt/Instrumentos_snc_geral.html
Decreto-Lei n.º 158/2009, de 13 de julho. Aprova o Sistema de Normalização Contabilística, na redação atual. Diário da República.
Decreto-Lei n.º 126-B/2025, de 5 de dezembro. Altera o Decreto-Lei n.º 158/2009, de 13 de julho, no que respeita aos critérios de dimensão das empresas e grupos. Diário da República.
Portaria n.º 218/2015, de 23 de julho. Aprova o Código de Contas do Sistema de Normalização Contabilística. Diário da República.
Portaria n.º 220/2015, de 24 de julho. Aprova os modelos de demonstrações financeiras do Sistema de Normalização Contabilística. Diário da República.
Portaria n.º 282/2013, de 29 de agosto. Regulamenta vários aspetos das ações executivas cíveis, na redação atual. Diário da República.
Portaria n.º 331-B/2009, de 30 de março. Regulamenta vários aspetos das ações executivas cíveis. Diário da República. (Revogada/substituída pela Portaria n.º 282/2013, de 29 de agosto, sem prejuízo da sua relevância para enquadramento histórico e aplicação temporal).
Portaria n.º 436-A/2006, de 5 de maio. Altera a Portaria n.º 708/2003, de 4 de agosto. Diário da República.
Portaria n.º 708/2003, de 4 de agosto. Estabelece a remuneração e o reembolso das despesas do solicitador de execução no exercício da atividade de agente de execução. Diário da República. (Revogada pela Portaria n.º 331-B/2009, de 30 de março, sem prejuízo da sua relevância para enquadramento histórico e aplicação temporal).
Nota: a bibliografia poderá ser complementada por materiais disponibilizados pela docente, documentação técnica da CNC e OCC, legislação e normativos atualizados aplicáveis ao relato financeiro e ao processo executivo.