UPCoimbra coordena projeto europeu para tornar as cidades mais resilientes às alterações climáticas

A Universidade Politécnica de Coimbra (UPCoimbra) vai coordenar o projeto europeu ResSuDSCita – Resilient and Sustainable Drainage Systems for Cities, uma iniciativa internacional que pretende desenvolver soluções inovadoras para tornar as cidades mais resilientes às alterações climáticas, através de uma gestão mais sustentável da água pluvial e da adaptação dos territórios urbanos a fenómenos meteorológicos extremos.

Integrado na Driving Urban Transitions Partnership (DUT), o projeto terá uma duração de 36 meses e reúne parceiros de Portugal, Grécia, Polónia, Hungria e Suécia. A iniciativa conta ainda com a participação da empresa municipal Águas de Coimbra, que apoiará a implementação e monitorização das soluções-piloto. O investimento global ultrapassa um milhão de euros, correspondendo a um financiamento solicitado de cerca de 968 mil euros.

A equipa da UPCoimbra é coordenada pelo docente Joaquim Sousa e integra os investigadores Teresa Fragoso, Luís Santos, Alexandra Ribeiro, Silvino Capitão, António Correia, Fernando Moita, Verónica Oliveira, Carla Rodrigues, Sara Proença e Susana Gonçalves. A diversidade de especialidades envolvidas – da hidráulica urbana à inteligência artificial, passando pela geotecnia, ambiente, economia, sensorização e sistemas de informação geográfica – reflete a natureza multidisciplinar do projeto.

 

Joaquim Sousa lidera a equipa de investigadores de diferentes especialidades

Joaquim Sousa lidera a equipa de investigadores de diferentes especialidades

O ResSuDSCita pretende avaliar e otimizar o desempenho dos Sistemas Urbanos de Drenagem Sustentável (SuDS), infraestruturas verdes que reproduzem o funcionamento natural do ciclo da água, contribuindo para reduzir o risco de cheias urbanas, melhorar a qualidade da água, promover a infiltração no solo, aumentar a biodiversidade e mitigar o efeito de ilha de calor nas cidades.

Para Joaquim Sousa, coordenador da equipa da UPCoimbra, o projeto surge num momento em que as cidades enfrentam desafios crescentes relacionados com as alterações climáticas, a gestão da água, a artificialização dos espaços urbanos e a necessidade de valorizar resíduos industriais. “As cidades enfrentam hoje desafios cada vez mais complexos que colocam em causa não só a sua sustentabilidade, mas também a qualidade de vida e o bem-estar das populações. As alterações climáticas estão a aumentar a frequência e a intensidade de fenómenos extremos, colocando novas pressões sobre a gestão da água em meio urbano. Ao mesmo tempo, a crescente artificialização dos espaços urbanos contribui para o agravamento do efeito de ilha de calor, enquanto a necessidade de encontrar soluções para a valorização de resíduos industriais constitui um desafio ambiental e económico cada vez mais relevante”, afirma.

Segundo o investigador, é neste contexto que o ResSuDSCita assume particular importância, ao promover a adoção de Sistemas Urbanos de Drenagem Sustentável capazes de responder simultaneamente a vários destes desafios. “Pretende-se contribuir para a mitigação dos efeitos das inundações urbanas, melhorar a qualidade da água, promover a biodiversidade e reduzir o efeito de ilha de calor. Um dos aspetos mais inovadores do projeto é a integração destes objetivos com os princípios da economia circular, através da incorporação de resíduos industriais na construção de soluções de drenagem sustentável. Desta forma, procuramos transformar aquilo que tradicionalmente é encarado como um resíduo num recurso, reduzindo o consumo de matérias-primas e contribuindo para soluções urbanas mais sustentáveis.”

Joaquim Sousa destaca ainda que o projeto vai além do desenvolvimento de soluções tecnológicas. “O ResSuDSCita pretende demonstrar que é possível repensar a forma como planeamos e construímos as nossas cidades, aproximando a gestão da água, a adaptação às alterações climáticas, a valorização de resíduos e a criação de espaços urbanos mais resilientes. É esta abordagem integrada que consideramos essencial para construir cidades mais sustentáveis, resilientes e preparadas para os desafios do futuro.”

Paralelamente, o projeto irá estudar a incorporação de subprodutos industriais na construção destas infraestruturas, promovendo os princípios da economia circular. Serão também desenvolvidos modelos digitais baseados em sensores, monitorização remota, inteligência artificial e aprendizagem automática, permitindo acompanhar o desempenho das soluções implementadas e apoiar o planeamento urbano sustentável.

Ao longo dos três anos de execução, os parceiros irão caracterizar as soluções existentes, instalar sistemas de monitorização em diferentes cidades, recolher e analisar dados ambientais, validar novos materiais para infraestruturas de drenagem sustentável e desenvolver ferramentas de apoio à decisão. O objetivo final passa por produzir recomendações técnicas e políticas que facilitem a adoção destas soluções por cidades de toda a Europa.

Recentemente aprovado, o projeto encontra-se agora na fase de preparação, com a definição do plano de trabalhos, da organização das equipas e das primeiras reuniões de coordenação que darão início à execução científica e técnica.