Farmacocinética e Farmacodinâmica

Conhecimentos de Base Recomendados

Biologia celular e molecular, Bioquímica, Química orgânica, Anatomia e Fisiologia

Métodos de Ensino

Os conteúdos programáticos consolidam os conhecimentos fundamentais de Farmacocinética e Farmacodinâmica (PK/PD), promovendo a sua aplicação na resolução de casos práticos e de situações reais, com vista ao desenvolvimento do raciocínio analítico, crítico e da tomada de decisão. As atividades propostas privilegiam ainda a aplicação integrada dos conhecimentos em contextos de complexidade crescente, favorecendo a aquisição de competências teóricas e práticas em PK/PD.

As metodologias de ensino (ME) adotadas combinam diferentes estratégias de inovação pedagógica, assentes em abordagens de aprendizagem ativa e centradas no estudante, promovendo o desenvolvimento integrado das dimensões saber-saber (conhecimentos), saber-fazer (aptidões) e saber-ser (competências).

ME1 – Ensino expositivo interativo: utilização de recursos audiovisuais complementados por atividades de aprendizagem ativa individual, orientadas para a resolução de problemas de PK/PD e consolidação de conhecimentos, recorrendo à plataforma Mentimeter (Word Cloud, Q&A, Multiple Choice e Ranking).

ME2 – Aprendizagem colaborativa: ensino expositivo interativo complementado por atividades de grupo centradas na análise crítica e discussão de artigos científicos na área da PK/PD, utilizando a metodologia Jigsaw para promover a aprendizagem cooperativa e a integração do conhecimento.

ME3 – Ensino baseado na prática: desenvolvimento de competências técnicas através da análise e resolução de casos práticos de PK/PD em contexto aplicado, privilegiando a execução, a interpretação de resultados e a tomada de decisão fundamentada.

ME4 – Aprendizagem baseada em problemas (Problem-Based Learning – PBL): resolução de problemas e casos práticos de PK/PD com recurso a plataformas e software online, estimulando o raciocínio clínico, a autonomia e a capacidade de resolução de problemas.

ME5 – Aprendizagem baseada em projeto: desenvolvimento de competências através da elaboração de protocolos técnico-científicos na área da biodisponibilidade e bioequivalência (BD/BE), promovendo a integração dos conhecimentos adquiridos e a aplicação das orientações regulamentares.

ME6 – Ensino baseado no planeamento e na resolução de problemas: desenvolvimento de competências de análise e resolução de casos práticos de PK/PD em conformidade com as guidelines regulamentares em vigor. A articulação entre os princípios teóricos de farmacocinética e farmacodinâmica e um plano estruturado de resolução de problemas, com níveis de complexidade progressivamente crescentes, favorece a integração horizontal e vertical dos conteúdos com outras unidades curriculares da área, nomeadamente Farmacologia I, Farmacologia II, Farmacoterapia I e Farmacoterapia II.

Resultados de Aprendizagem

MATRIZ TEÓRICA

C1. Compreender os processos de absorção, distribuição, metabolização e excreção dos fármacos, bem como os fatores que os condicionam.

C2. Identificar os principais alvos farmacológicos e compreender os mecanismos gerais de ação dos fármacos, relacionando-os com a resposta farmacológica.

C3. Identificar, interpretar e prever interações medicamentosas de natureza farmacocinética e farmacodinâmica e o seu impacto na eficácia e segurança da terapêutica.

C4. Identificar os principais fatores responsáveis pela variabilidade da resposta farmacológica, incluindo fatores fisiológicos, patológicos, genéticos e terapêuticos.

C5. Integrar conhecimentos de farmacocinética e farmacodinâmica na resolução de problemas clínicos e experimentais, aplicando metodologias de pensamento crítico, sistémico e colaborativo para apoiar a tomada de decisão baseada na evidência.

 

MATRIZ PRÁTICA

C6. Compreender a evolução temporal das concentrações plasmáticas dos fármacos de acordo com a forma farmacêutica e o modo de administração.

C7. Calcular e interpretar os principais parâmetros farmacocinéticos, recorrendo a métodos de análise farmacocinética compartimental e não compartimental.

C8. Conhecer e aplicar os princípios e as normas regulamentares relativos aos estudos de bioequivalência de medicamentos.

Programa

MATRIZ TEÓRICA

Módulo 1. FARMACOCINÉTICA

1.1. Disponibilização das substâncias ativas no organismo a partir das diversas vias de administração e formas farmacêuticas

1.1.1. Vias de administração e formas farmacêuticas

1.1.2. Administração de fármacos pela via oral

1.2. ADME: Absorção

1.2.1. Absorção de fármacos pela via oral

1.2.2. Locais de absorção de fármacos administrados pela via oral

1.2.3. Mecanismos de transporte de substâncias ativas através das membranas celulares

1.2.4. Efeito de primeira passagem e degradação pré-sistémica das substâncias ativas

1.2.5. Fatores que influenciam a absorção oral das substâncias ativas

1.2.6. Parâmetros farmacocinéticos de absorção: constante de velocidade de absorção, concentração máxima, tempo para a concentração máxima e biodisponibilidade

1.3. Biodisponibilidade

1.3.1. Definição de biodisponibilidade

1.3.2. Fatores que afetam a biodisponibilidade

1.3.3. Biodisponibilidade absoluta

1.3.4. Biodisponibilidade relativa

1.3.5. Metodologias para determinação da biodisponibilidade

1.3.6. Bioequivalência

1.4. Sistema de Classificação Biofarmacêutica

1.4.1. O Sistema de Classificação Biofarmacêutica: solubilidade e permeabilidade

1.4.2. Classificação das substâncias ativas: classes I, II, III e IV

1.4.3. Isenção de testes in vivo – Biowaivers

1.4.4. Sistema de Classificação Biofarmacêutica – Disposição dos Fármacos

1.5. ADME: Distribuição

1.5.1. Distribuição no espaço vascular

1.5.1.1. Ligação às proteínas plasmáticas: albumina e alfa-1-glicoproteína ácida

1.5.1.2. Fração livre e fração ligada

1.5.1.3. Fatores que influenciam a ligação às proteínas plasmáticas

1.5.2. Distribuição no espaço extra-vascular

1.5.2.1. Fatores que afetam a distribuição tecidular: ligação do fármaco às proteínas plasmáticas e tecidulares, velocidade de apresentação do fármaco ao tecido e facilidade com que o fármaco atravessa as membranas biológicas.

1.5.2.2. Acumulação tecidular de fármacos

1.5.3. Barreiras fisiológicas à distribuição dos fármacos

1.5.3.1. Barreira hemato-encefálica

1.5.3.2. Barreira hemato-testicular

1.5.3.3. Barreira hemato-placentária

1.5.4. Parâmetros farmacocinéticos de distribuição: volume aparente de distribuição

1.6. ADME: Metabolização

1.6.1. Biotransformação: fármacos ativos, pró-fármacos e metabolitos

1.6.2. Reações de biotransformação: fase I e fase II

1.6.3. Sistemas enzimáticos envolvidos na biotransformação de fármacos

1.6.3.1. Multiplicidade e isomerismo do citocromo P450

1.6.4. Fatores que afetam a biotransformação dos fármacos:

1.6.5. Biotransformação do paracetamol

1.6.6. Taxa de extração hepática

1.6.7. Cinética do metabólica

1.7. ADME: Excreção

1.7.1. Vias de excreção de fármacos: órgãos e fluídos envolvidos

1.7.2. Excreção renal

1.7.3. Excreção biliar e ciclo entero-hepático

1.7.4. Excreção para o leite materno

1.8. Cinética de eliminação

1.8.1. Conceito de incorporação, disposição e eliminação

1.8.2. Cinética de eliminação de ordem 0 e ordem 1

1.8.3. Parâmetros farmacocinéticos de eliminação: constante de velocidade de eliminação, tempo de semi-vida e depuração (clearance)

1.8.4. Estado de equilíbrio estacionário

Módulo 2. FARMACODINÂMICA

2.1. Mecanismos gerais de ação dos fármacos

2.1.1. Alvo farmacológico, mecanismo de ação e resposta farmacológica

2.1.2. Principais alvos farmacológicos e mecanismos de ação dos fármacos

2.1.2.1. Recetores: agonistas e antagonistas

2.1.2.2. Enzimas: inibidores, substratos falsos, pró-fármacos e cofatores

2.1.2.3. Canais iónicos: bloqueadores e moduladores alostéricos

2.1.2.4. Transportadores: inibidores e substratos falsos

2.1.3. Resposta farmacológica: efeito terapêutico, efeitos adversos, efeito placebo e efeito nocebo

2.1.4. Relação farmacocinética/farmacodinâmica

2.1.5. Curva Dose-Resposta: Emax e ED50/EC50

2.2. Recetores farmacológicos

2.2.1. Receptores ionotrópicos

2.2.2. Receptores metabotrópicos

2.2.3. Receptores com atividade intrínseca de quinase ou acoplados a quinase

2.2.4. Receptores nucleares

2.2.5. Modificações pós-traducionais de receptores e complexos macromoleculares

2.2.6. Recetores alfa e beta adrenérgicos, muscarínicos, nicotínicos, gabaérgicos, dopaminérgicos, serotoninérgicos e histaminérgicos

2.3. Interação fármaco-recetor

2.3.1. Definição de seletividade, afinidade, eficácia intrínseca e potência

2.3.2. Curvas dose-resposta (agonistas totais, agonistas parciais, agonistas inversos e antagonistas)

2.3.3. Dessensibilização, tolerância e resistência

2.3.4. Tipos de relações concentração-efeito farmacológico: efeitos indiretos, feitos irreversíveis e efeitos diretos reversíveis

2.3.5. Aplicação da teoria de recetores e da equação de Hill

Módulo 3. VARIABILIDADE DA RESPOSTA FARMACOLÓGICA

3.1. Conceito de variabilidade: variabilidade inter- e intra-individual

3.2. Impacto clínico da variabilidade farmacocinética e farmacodinâmica

3.3. Interações farmacológicas

3.3.1. Interações farmacocinéticas

3.3.1.1. Absorção

3.3.1.2. Distribuição: deslocação da ligação às proteínas plasmáticas

3.3.1.3. Metabolização: inibição e indução enzimática

3.3.1.4. Excreção

3.3.2 Interações farmacodinâmicas

3.4. Outras causas de variabilidade

3.4.1. Diferenças entre sexos

3.4.2. Extremos de idade (população pediátrica e população geriátrica)

3.4.3. Comorbilidades: doença renal

3.4.4. Diferenças genéticas (farmacogenética)

3.4.5. Ciclo circadiano (cronofarmacocinética)

3.4.6. Gravidez

MATRIZ PRÁTICA

Módulo 1. ANÁLISE FARMACOCINÉTICA NÃO COMPARTIMENTAL

1.1. Cálculo dos parâmetros farmacocinéticos:

1.1.1. Concentração máxima (Cmáx) e tempo máximo (tmáx)

1.1.2. Constante de eliminação terminal (λz)

1.1.3. Semi-vida de eliminação (t1/2)

1.1.4. Área sob a curva (AUC) 0→t pelo método dos trapézios

1.1.5. Área sob a curva (AUC) 0→infinito

1.1.6. Volume aparente de distribuição (Vz/F)

1.1.7. Clearance oral (CL/F)

Módulo 2. ESTUDOS CLÍNICOS FARMACOCINÉTICOS

2.1. Fases do desenvolvimento de medicamentos

2.2. Estudos clínicos farmacocinéticos: desenho do estudo, medicamento e condições de administração, participantes, amostragem, recolha e determinação das concentrações do fármaco e/ou metabolitos em amostras biológica, análise farmacocinética, análise estatística

Módulo 3. DIRETRIZES PARA A INVESTIGAÇÃO DE BIOEQUIVALÊNCIA

3.1. Desenvolvimento a aprovação de medicamentos novos

3.2. Medicamento inovador e medicamento genérico

3.3. Equivalência entre medicamentos

3.4. Diretrizes da Agência Europeia do Medicamento (EMA) para estudos de bioequivalência

3.4.1. Produto de referência e produto teste

3.4.2. Desenho do estudo

3.4.3. Participantes

3.4.4. Padronização e condições experimentais

3.4.5. Amostragem

3.4.6. Metodologia bioanalítica

3.4.7. Análise farmacocinética

3.4.8. Parâmetros analisados e limites de aceitabilidade

3.4.9. Análise estatística dos resultados

Módulo 4. ANÁLISE FARMACOCINÉTICA COMPARTIMENTAL

4.1. Modelos farmacocinéticos compartimentais: um, dois e três compartimentos

4.1.1. Modelo monocompartimental

4.1.1.1. Equações que descrevem a variação das concentrações após administração pela via IV (bólus), via IV (infusão) e via extravascular (oral)

4.4.1.2. Administração em dose única e em doses múltiplas

4.4.1.3. Cálculo dos parâmetros farmacocinéticos: Concentração máxima (Cmáx) e tempo máximo (tmáx), Constante de eliminação (ke), Semi-vida de eliminação (t1/2), Volume aparente de distribuição (Vd), Clearance (CL) e Área sob a curva (AUC)

Módulo 5. ANÁLISE DE CURVAS DOSE-RESPOSTA

5.1. Construção de curvas dose-resposta e concentração-efeito

5.1.1. Parâmetros: Emax, ED50, EC50 e coeficiente de Hill

5.1.2. Modelos de agonismo e antagonismo

Docente(s) responsável(eis)

Rui Filipe Ramos Silva

Métodos de Avaliação

1. Avaliação Contínua

Componente Teórica (15 valores)

A avaliação da componente teórica é realizada através de duas frequências, efetuadas ao longo do período letivo. É obrigatória a obtenção de uma classificação mínima de 9,5 valores (em 20 valores) em cada uma das frequências. A classificação final da componente teórica corresponde à média aritmética das classificações obtidas nas duas frequências.

Componente Prática (5 valores)

A avaliação da componente prática é contínua e baseia-se na participação e desempenho nas atividades desenvolvidas durante as aulas práticas. Para aprovação nesta componente, é obrigatória a obtenção de uma classificação mínima de 9,5 valores (em 20 valores).

A classificação final da unidade curricular resulta da média ponderada das classificações obtidas nas componentes Teórica (75% - 15 valores) e Prática (25% - 5 valores).

2. Exame

Nas épocas Normal, de Recurso e Especial, a avaliação é realizada através de uma prova escrita que incide sobre as componentes teórica e prática da unidade curricular.

A classificação final é calculada através da média ponderada das componentes Teórica (75% - 15 valores) e Prática (25% - 5 valores). A aprovação na unidade curricular exige a obtenção de uma classificação final mínima de 9,5 valores (em 20 valores).

A avaliação decorre de acordo com o Regulamento Académico em vigor.


    Estágio(s)

    NAO

    Bibliografia

    BIBLIOGRAFIA PRIMÁRIA

    Basic and Clinical Pharmacology. Kartzung, BG. Lange 14th Edition; 2018

    Rang and Dale´s Pharmacology. Rang HP, Dale MM, Ritter JM, Flower RJ, Henderson G. 9th Edition Churchill Livingstone. 2019. ISBN: 978-0-7020-3471-8 Rang & Dale’s Pharmacology – ClinicalKey

    The Pharmacological Basis of Therapeutics. Bruton L, Chabner B, Knoliman B; Goodman & Gilman´s. 13th Edition. McGraw-Hill. 2018. ISBN: 978-0-07-175252-4

    BIBLIOGRAFIA SECUNDÁRIA

    Clinical Pharmacology 12th edition Editors: Morris J. Brown, Pankaj Sharma, Fraz A. Mir, Peter N. Bennett. 2018. ISBN: 9780702073281 Clinical Pharmacology – ClinicalKey

    Terapêutica medicamentosa e suas bases farmacológicas. Manual de Farmacologia e Farmacoterapia de Serafim Guimarães, Daniel Moura e Patrício Soares da Silva. Porto Editora. 6ª Edição. 2014 ISBN: 978-972-0-01794-9

    Pierre-Paul Leblanc, Tratado de Biofarmácia e Farmacocinética, Instituto Piaget, Lisboa. (2000).

    Artigos Científicos